Existem verdades que gostamos de esconder. O orçamento anual para atividades de coesão de equipe é um dos tabus de muitas empresas, mas está sempre presente ano após ano, mesmo que os resultados das atividades de team building sejam difíceis de medir. Esse tipo de evento corporativo seria uma ilusão? Um fenômeno da moda? Uma perda de tempo e dinheiro?
Team building: um exercício potencialmente perigoso para a empresa
Construção de equipe: alguns gostam, outros não. Alguns se sentem à vontade em equipe, enquanto outros consideram os exercícios completamente inúteis ou até mesmo insultantes. Para estes últimos, o tempo dedicado a resolver enigmas, escalar árvores e montar no chão não significa necessariamente um trabalho em equipe mais eficaz.
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Kate Mercer, cofundadora do Leaders Lab, faz parte das pessoas que não têm papas na língua quando se trata de dar sua opinião sobre o team building. Para ela, o termo evoca “uma visão horrível de pessoas de joelhos no chão tocando tambores em uma sala de conferências ou construindo torres de Lego tentando bater um recorde de tempo contra outra equipe”.
A pergunta a ser feita é a seguinte: o team building realmente funciona? O autor americano de A buzz in the building: Como construir e liderar uma organização brilhante afirma que não, por quatro razões principais:
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– A diferença entre as atividades realizadas nas empresas e aquelas realizadas no contexto do team building é muito grande. Claro, é possível traçar paralelos e destacar pontos de aprendizado úteis. No entanto, essa análise deve ser correta e eficaz para garantir que os indivíduos reintegrem o aprendizado em seu trabalho.
– Vergonha, sentida por muitas pessoas, independentemente de seus traços de personalidade, em algumas atividades praticadas durante as sessões de team building. De fato, não é raro ver algumas pessoas constrangidas com medo da vergonha ou até mesmo da humilhação durante esses eventos. O erro fundamental é dizer, aliás, que tudo voltará rapidamente ao normal… Para alguns funcionários, as atividades de criação de equipe apenas ampliam a lacuna entre eles, seus colegas e seu empregador.
– O risco de favoritismo, marcado pelo fato de forçar os funcionários a participar de atividades supostamente divertidas, alguns podem se sentir obrigados a se submeter a atividades de team building para fazer um trabalho melhor.
– Confusão entre trabalho em equipe e socialização, devido à natureza das atividades oferecidas durante o team building. Forçar os funcionários a entrar em contato com pessoas que prefeririam ver como colegas simples pode gerar hostilidade em vez de solidariedade, aumentar a tensão dentro das equipes e dificultar para muitos.
É realmente necessário construir equipe?
Assim como a iniciação para os estudantes, o team building pode tomar proporções incalculáveis, especialmente se for mal gerenciado e mal planejado. Quando o team building assume a forma de uma competição sem sentido entre colegas, as coisas podem rapidamente sair do controle. A ironia é que as empresas têm apenas um desejo: que seus funcionários cooperem mais, trabalhem ativamente em equipe e compartilhem seus conhecimentos enquanto se esforçam para ter sucesso juntos e alcançar um único objetivo comum. – Por quê? – Por quê? forçá-los a competir em eventos competitivos?
Em geral, o denominador comum para as atividades de team building é o departamento de recursos humanos. Longe das equipes para as quais organizam atividades, o RH insiste, no entanto, na necessidade absoluta de implementar boas práticas de trabalho em equipe, para o bem de todos e principalmente para o bem da empresa. Embora as motivações em recursos humanos sejam nobres por si mesmas, às vezes resultam em resultados negativos. Para evitar isso, seria bom considerar alguns elementos antes de organizar um evento de team building, como:
— Escolher as atividades que cada membro da equipe aprecia
— Garantir que a carga de trabalho dos participantes não seja afetada
— Não forçar ninguém a participar
Além disso, existem muitas outras maneiras tão eficazes quanto o fortalecimento da equipe e menos custosas de promover a cooperação entre os membros de um mesmo grupo. Reuniões sem trabalho são um excelente exemplo. Elas podem ser realizadas, por exemplo, por meio de assinaturas para uma academia, atividades de caridade nas quais a empresa convida todos a participar se desejarem, etc. Além disso, por mais popular que seja, o team building não resolve todos os problemas relacionais de uma empresa. Em alguns casos, esses problemas vêm simplesmente da gestão e, em vez de querer curar as feridas, é melhor recorrer a problemas estratégicos, que causam disfunções na equipe…
MarilynGuillaume
Fonte: communication-entreprise.fr